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Jogo 99/41: A megalópole dos sentimentos...

  • 21 de ago. de 2024
  • 4 min de leitura

Atualizado: 25 de ago. de 2024

2 de junho.

Na véspera do sorteio das oitavas da Libertadores, o sonho já indica o tamanho do desafio. A tarde confirma, nos gameprints feitos por Madu e eu.


A manhã de 3 de junho é apenas 'pró-forma'.


Nosso adversário será o perigoso Botafogo (segundo na nossa lista de quem não gostaríamos de enfrentar...).


9 dias depois, o sonho realizado para o final de novembro torna o embate ainda mais tenso.


2 meses antes do confronto, tempo suficiente para jogarmos muita bola, cairmos de rendimento, entrarmos numa pequena crise, perdermos destaques por lesão, sermos eliminados da Copa do Brasil - com um segundo jogo de nos encher de orgulho e iniciarmos a retomada pela confiança.


Nosso ano tem sua primeira grande decisão entre 14 e 21 de agosto...


A ida, no Engenhão, tem, na prévia, bateria e bandeiras na sala. A medida que as 21h30 se aproxima, o jogo - na minha opinião - mais difícil dos 6 restantes causa tensão absurda.


O 1x2 é um estrago até que aceitável. Não usaremos de desculpas o pênalti em Estevão.


Em uma semana, passa pela nossa voz a sequência na Libertadores...


*a manhã de quinta traz a sensação física de que fomos à cancha. As dores no corpo e a voz rouca definem a diferença aos atuais torcedores de sofá, que teclam raivosos e colocam argumentos toscos, torcendo até pelas derrotas para sustentá-los.


Faço questão de mostrar essa ira digital à Madu e suas reações me orgulham.


Certeza que essa geração frustrada que ofende e coloca salários como obrigação de vitória elásticas, tal qual um vídeo game, se esconderia embaixo da cama se vivessem nossa primeira glória eterna, em 1999.


A classificação com 10 pontos no grupo com os Gambás e os paraguaios nos colocou numa chave onde empatamos em casa com o atual campeão Vasco (para buscarmos a classificação nos 4x2 em São Januário), eliminamos nos pênaltis o rival após 2x0 e 0x2, vimos nascer São Marcos no 0x1 contra o River e batermos, novamente nas penalidades o Deportivo Cali após novo 0x1 na ida.


Título Felipônico, com provas ardentes de fé e esperança da torcida.


Sentimentos que com certeza já inundam os 40 mil que vão ao Palestra na próxima semana. Nem a mesquinhez e patifaria vingativa da Madame serão capazes de nos calar. Faremos o Palmeiras seguir adiante.


E será como em 99... No seu jogo 99, Madu.


Antes, a resiliência no Choque-Rei...


21 de agosto.

Já são 3 noites pessimamente dormidas. Ansiedade e tensão que tornam o passar do tempo totalmente lentos.


Após buscarmos mamãe, o trânsito até que não é tão ruim.

Como sempre, ela é perspicaz na vaga para estacionar.


A chegada possibilita Maju ver o estacionamento do caminhão do Choque.


No acesso ao Gol Norte, Madu escolhe por posição onde participa do mosaico.

Banheiro, copo, água e refri. Choripan caseiro de jantar.

Aquecimento dos jogadores. A torcida do Botafogo mostra-se bem empolgada com o raro momento do time - e torna-se das mais destacadas que já vimos.


Um torcedor subestima a experiência de arquibancada das pequenas. Na verdade, quem não está lá rotineiramente é ele...


21h20. A descida do mosaico com o mantra da virada dispara o início de mais de 2 horas de uma magnitude de sentimentos que se misturam, sem critério algum, e moldam rostos, gestos e cantos dos alviverdes.

Apreensão, desconforto, insegurança.

Os primeiros 15 minutos tem grande domínio carioca, criando chances e nos fazendo correr atrás, um tanto desorganizados...


Solidariedade, equilíbrio, paciência.

Aos poucos, nos encontramos e as oportunidades começam a surgir.

A falta de Felipe e o infeliz cabeceio de Flaco poderiam nos colocar à frente. O primeiro tempo termina igual.


Confiança e medo se misturam no intervalo. Somos capazes mas temos apenas 50 minutos para resolver nosso futuro.

Vulnerabilidade e agonia.

Em 20 minutos, 2 gols alvinegros.


Desencanto e sofrimento.

Madu chora. Parece sem forças. O sonho fica distante. Quase inalcansável... E ela me perguntando, querendo ouvir que sim, se ainda há tempo pra fazermos 3 gols é angustiante...

Maju também chora. Sem entender direito, atrela nossa viagem ao sucesso alviverde.


Consigo explicar e ela volta a cantar.


Melancolia, hesitação e desorientação. Sentimentos que tomam conta do time e alguns torcedores, até o minuto 85.


O gol de Flaco traz alento.

O de Rony, empolgação e fé. Restam 5 minutos.

Tempo para, os 4, apelarem à Dona Neide (fato descoberto no carro...)

Bagunça total na área.

De repente, Gomez estufa a rede.

Comoção, emoção. Êxtase total.


As lágrimas de Madu agora são de alívio.


Nos abraços desconhecidos ou amados, plenitude, empatia e compaixão.

No chão, euforia e otimismo para enfrentar os pênaltis, após uma das maiores viradas da história.


Ao levantar, a incredulidade, desconsolo e frustração após o VAR marcar mão do zagueiro.


O golpe final de desânimo vem na falta cobrada por Menino, no travessão.


O empate é derrota, e tristeza e dor invadem.

O consolo na escada traz uma verdade. Mas não conforta.


Filhas, estaremos Argentina.

IREMOS, mas não SEREMOS (assim como em 2019, no Chile). Estamos eliminados, e nosso 30 de novembro será bem longe de Buenos Aires.


Sinais, promessas, coincidências ou visões.

Tudo cancelado de forma triste e melancólica.

Não traremos a faixa pro irmão do professor...


À nós, como torcedores, resta ter resiliência para buscar o trideca nacional.

Certeza não faltaram brio, comprometimento e disposição à todos.


Mas Deus quis assim. Ainda não é nossa hora. Ainda não verei uma final de Libertadores in loco.


E suas palavras, Madu, me motivaram a não desistir dessa loucura magnífica. Maior invenção do homem. Capaz de, em poucos minutos e num texto escrito de forma confusa emocionalmente, transbordar mais de 40 sentimentos diferentes. Por vezes, totalmente opostos.


40, Madu. Começa com 4. Sinais?


Desculpa enfiar vocês 3 nessa.

Eu as amo.


Em 2 dias se mamãe puder, Campinas, no jogo 100 de Madu. Esperando ansiosamente a Mancha cantar que 'a taça Libertadores é obsessão...".


 
 
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